A partir de 1985 o sociólogo francês Michel Maffesoli começava a utilizar o termo "tribo urbana" em seus artigos, e em 1988 surgia o seu “O tempo das tribos: o declínio do individualismo nas sociedades pós-modernas”. O uso da noção era metafórico, para dar conta de formas supostamente novas de associação entre os indivíduos na "sociedade pós-moderna": o autor fala em "neotribalismo". Seriam essencialmente "micro-grupos" que, forjados em meio à massificação das relações sociais baseadas no individualismo acabariam, mediante sua sociabilidade, por contestar o próprio individualismo vigente no mundo contemporâneo.
Já o antropólogo espanhol Carles Feixa faz um contraponto entre a expressão “tribo urbana com outra expressão, “culturas juvenis”, para demarcar linhas de interpretação diferentes.
Segundo Feixa,, em artigo ao mesmo tempo em que se registra a presença maciça, na mídia, da temática jovem, desde os anos de 1960, nas modalidades punks, mods, skinheads, heavies,rockers, grunges, nuevaoleros etc., não teria havido a devida correspondência nas pesquisas acadêmicas, as quais teriam ficado restritas a aspectos estruturais – escola, trabalho, família – ou a temas clássicos como o associacionismo, a participação, as atitudes políticas.
A idéia foi retomar a questão e propor uma nova perspectiva para tratar o assunto, que está resumida no próprio título: de seu artigo “Das tribos urbanas às culturas juvenis”, publicado na Revista de Estudios de Juventud, n. 64, em 2004.
O primeiro termo (tribos urbanas) é o mais popular e difundido, ainda que esteja fortemente marcado por sua origem na mídia e por seus conteúdos estigmatizantes.O segundo termo (culturas juvenis) é o mais utilizado na literatura acadêmica internacional (vinculada normalmente aos estudos culturais). Essa mudança terminológica implica também uma mudança na forma de encarar o problema, que transfere a ênfase da marginalidade para a identidade, das aparências para as estratégias (....)
O autor prossegue dizendo que o termo “culturas juvenis” aponta mais para as formas em que as experiências juvenis se expressam de maneira coletiva, mediante estilos de vida distintivos, tendo como referência principalmente o tempo livre. Esses “estilos distintivos”, identificados por meio do consumo de determinados produtos da cultura de massa, como roupas, música, adereços, formas de lazer etc., remetem à idéia das “subculturas”. Por outro lado, ainda nessa tradição, as experiências no interior das subculturas eram vistas como rituais de resistência à dominação de uma cultura hegemônica; daí o caráter “chocante” e desafiador da presença, do visual e da atuação.
1) Segundo o texto, que característica da sociedade pós moderna as tribos urbanas tentam combater?
2) Analise o trecho “ uma mudança na forma de encarar o problema, que transfere a ênfase da marginalidade para a identidade, das aparências para as estratégias”. O que o autor quer dizer?
3) Grife os trechos do texto que apontam as formas pelas quais esses grupos se expressam
4) Em que sentido esses grupos podem ser vistos como uma forma de resistência?
sábado, 24 de outubro de 2009
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